Pórtico | 03.X.2014
Amanhã é dia
da Igreja Diocesana. Há muito que faz parte da nossa dinâmica como Igreja
diocesana iniciar o ano pastoral com esta grande Assembleia que reúne muitas
centenas de fiéis das mais diversas comunidades da Arquidiocese de Évora.
Vêm para
ouvir a voz do Pastor, para acolher as novas propostas, para experimentarem a
comunhão fraterna. O entusiasmo marca este dia que é um sinal da vitalidade da
nossa Igreja diocesana. Certamente com ritmos diferentes mas todos com um só
coração e uma só voz abraçam o desafio do novo ano pastoral como um compromisso
e uma responsabilidade partilhada.
Este ano, o
tema do Ano Pastoral é: “Vive a Alegria que brota da Misericórdia”. Todos temos
no ouvido a voz imperiosa de Jesus: «Ide aprender o que significa: Eu quero a
Misericórdia e não o sacrifício». O sacrifício era o rito celebrativo dos
judeus; a Misericórdia era a expressão do amor de Jesus para com todos. Viver a
alegria que brota da Misericórdia é tocar no centro da mensagem cristã. Jesus veio
para revelar a beleza do amor de Deus que nos redime e salva.
Seria mais
fácil imaginar que basta cumprir preceitos, realizar umas quantas devoções e
ser fiel a certas tradições para que a nossa consciência já ficasse tranquila
com a sensação do dever cumprido. Essa é a situação a que se Jesus com a
palavra sacrifício. Não basta cumprir os deveres cristãos como uma rotina
assumida. A novidade da mensagem de Jesus está na sua Misericórdia com que
envolve a nossa vida.
O discurso
poderia até alargar-se um pouco mais. Não basta que a experiência da Igreja
seja a sua função ritual e litúrgica. Nem mesmo que congregue esforços
impressionantes com a sua acção social através das suas instituições
sócio-caritativas. A experiência da Igreja tem que ser, antes de mais, a
expressão do amor e da misericórdia que dão alma a tudo o mais. Jesus disse
mesmo: «Se estiveres para apresentar a tua oferta no altar e te lembrares que o
teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a ofertaa do altar, vai-te
reconciliar com ele de depois volta para a apresentar». No fundo, as nossas
liturgias terão sentido se forem também sinal do amor com que nos amamos como
fruto do amor com que Jesus nos amou.
Este Plano
Pastoral pretende colocar em evidência esta questão fundamental. Uma Igreja
alegre, composta por comunidades de gente feliz que testemunha com entusiasmo a
mensagem de Jesus é o que o Mestre da Galileia pediu aos seus discípulos.
O testemunho
da alegria é das maiores urgências na missão da Igreja. Paulo VI, na Evangelii
Nuntiandi coloca este testemunho como a pedra de toque da evangelização. Será o
testemunho da alegria que levará o mundo a interrogar-se sobre o testemunho dos
cristãos. Possivelmente, em muitos casos, nem será preciso fazer mais do que já
fazemos. O importante é fazer tudo com novo sentido, redescobrindo a
Misericórdia e o amor de Deus como a verdade maior que mudou as nossas vidas e
que pode renovar o mundo em que vivemos.
Será que a
alegria é um sinal evidente no rosto dos cristãos? Há que redescobrir a
Misericórdia para que a nossa alegria seja plena.
O novo Plano
Pastoral desafia-nos para esta experiência. Não tenhamos medo de o abraçar para
redescobrimos a beleza de sermos cristãos no mundo de hoje.
Padre Mário Tavares de Oliveira
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