PÓRTICO|20151218
Desde o início do Ano Santo,
sucedem-se em cadeia a abertura de Portas da Misericórdia por toda a Igreja.
Nas catedrais e nos santuários, em ermidas e paróquias, constituem uma
verdadeira rede de Pórticos da santidade que convidando à redescoberta do Amor
de Deus.
Sempre a surpreender a Igreja e o
mundo, o Papa Francisco decidiu abrir também uma Porta da Misericórdia num
albergue, no centro de Roma, que acolhe diariamente centenas de pobres, sob a responsabilidade
da Cáritas Romana. Esta Porta tem os mesmos privilégios do que a de São Pedro
do Vaticano. Poderão opinar alguns que gestos destes podem conduzir à
banalização do símbolo, mas está na mente do Papa levar o espírito da
Misericórdia até às periferias humanas que se tentam esconder diante dos olhos
do mundo chamado civilizado.
Todas estas Portas a convidar ao
Perdão e ao Amor são um poderoso anúncio do rosto de Deus que liberta e salva.
Elas abrem clareiras no egoísmo, rompem muros intransponíveis, perfuram ódios e
violência. Abertas diante de multidões congregadas por pastores, tais Portas
são entradas para o coração de Deus e para os recantos de Paz que só em Deus
encontramos.
Todavia, para além da rede de Portas
da Misericórdia que vão mapeando os caminhos dos peregrinos e direcionando os
trilhos das comunidades, é essencial que me cada coração humano haja também uma
porta aberta ao irmão, ao desconhecido, ao refugiado, à vítima da indiferença,
ao pobre e ao idoso, à mulher maltratada, ao marginalizado, à criança impedida
de o ser. Cruzamo-nos a cada instante com outros que deveriam ser mais do que
números ou indivíduos.
“O que fizeres ao mais pequenino, é
a mim que o fazeis”, diz Jesus. O nosso coração deveria ser uma porta aberta e
não uma parede cega. Aberto de par em par, o nosso coração deveria revelar os
sinais da partilha, do afecto e do perdão. Quantos dramas carregamos aos ombros
durante anos que nos perturbam e tiram a paz só porque não perdoamos a quem um
dia nos ofendeu; quanta secura interior porque não educámos o coração para a
descoberta do dom que o irmão pode ser para nós; quanto egoísmo com que
moldamos os nossos comportamentos e que nos impedem de ver o sentido libertador
da vida! É urgente abrir uma porta santa no nosso coração, em cada coração para
que a civilização do amor não seja uma mera utopia, mas uma real via de
esperança e de Paz.
Outrora, num estábulo de Belém, numa
noite fria mas onde brilhavam estrelas, o amor de Deus abriu uma Porta Santa inesperada.
Os anjos cantaram, os pastores acorreram, os reis vieram de longe e toda a
humanidade foi resgatada, cruzando aquele pórtico de luz. O Natal é este gesto
do amor de Deus que se renova em cada coração humano aberto ao dom do irmão. O
nascimento de Jesus revela quem Deus é. Que o nosso coração aberto continue a
dizer ao mundo que Deus é Amor.
Algo de novo está a acontecer: O
Amor abriu as suas portas e convida-nos à sua festa.
P. Mário