PÓRTICO|20150522
Sempre
me impressionou a memória bem marcada duma visita da imagem da Virgem de Fátima
por terras alentejanas na década de 40. Em muitas das missões populares pelas
cidades, vilas e aldeias da nossa diocese, pude ouvir muitos relatos dos
episódios que ainda hoje se recordam dessa visita, com muito encanto e ternura..
Eram as graças recebidas, as pregações que arrebatavam, as pombas brancas que
acompanhavam a imagem, os cortejos, as procissões, os tapetes de flores… A
visita da imagem da Cova da Iria nas décadas pretéritas marcou profundamente o
nosso povo cristão.
No
passado dia 13, o Senhor bispo de Leiria-Fátima, no contexto da preparação para
o centenário das aparições de Fátima, fez o solene envio da imagem peregrina da
Cova da Iria que vai percorrer todas as dioceses do país. Na nossa Diocese, a
visita da imagem será de 8 a 22 de Novembro. Serão, certamente, dias intensos
de manifestações da devoção à Mãe de Deus e nossa Mãe.
Esta
peregrinação da imagem da Cova da Iria tem o sabor dum gesto com raízes
profundas. A Virgem Maria deu-nos o testemunho duma vida marcada pelo espírito
peregrinante: A ida a Belém para se recensear, a visita à sua prima Isabel, a
fuga para o Egipto, as idas a Jerusalém onde a vemos a iniciar Jesus na fé
judaica, a viver a Páscoa do Filho e a receber o Espírito Santo em dia de
Pentecostes. Maria é a primeira peregrina e desenhou com a sua vida um caminho
que deverá ser inspirador para todo o povo cristão.
A
visita da sua imagem insere-se neste espírito da Senhora dos caminhos, a Mãe
peregrina sempre disponível a ir ao encontro dos filhos. Maria é modelo duma fé
dinâmica, em movimento e em saída. Hoje a Igreja há-de inspirar-se em Maria
para purificar o seu coração e recuperar a ousadia de ir sempre mais longe. Para
além de ter em Pedro o alicerce da fé, tem em Maria a sua inspiradora.
Para
consumar a sua missão, a comunidade há-de redescobrir o seu perfil mariano,
irradiando gestos maternos de bondade, próprios de quem abraça e não exclui.
Uma Igreja que congrega e une, que repara as fendas da almas e se mostra
disponível para estar junto dos que mais precisam é a configuração da fé que a
Mãe de Jesus lega à comunidade dos discípulos.
A
visita da imagem peregrina da Cova da Iria por terras de Portugal é o símbolo
da mãe que vem ao encontro dos seus filhos para que estes revigorem os laços da
fé e da esperança. O povo lusitano tem uma alma profundamente mariana desde o
seu berço. A sua história é um vivo testemunho duma aliança com o céu que
sempre contou com o abraço de Maria. Nos momentos difíceis, sempre implorámos a
ajuda divina recorrendo a Nossa Senhora.
Vivemos
hoje tempos de grande inquietação e sentimos que os caminhos da esperança estão
seriamente ameaçados. Por isso mesmo, Maria vem ao nosso encontro apontando a
mensagem do Filho que é o evangelho. Que saibamos aproveitar esta hora de graça
e esta oportunidade singular. Que o fruto seja um compromisso de fé mais responsável
que nos faça olhar os desafios do mundo sem os medos que paralisam mas com a
ousadia de quem acredita no amor que redime.