sábado, 23 de maio de 2015

Virgem de Fátima peregrina ao encontro dum povo de peregrinos

PÓRTICO|20150522


Sempre me impressionou a memória bem marcada duma visita da imagem da Virgem de Fátima por terras alentejanas na década de 40. Em muitas das missões populares pelas cidades, vilas e aldeias da nossa diocese, pude ouvir muitos relatos dos episódios que ainda hoje se recordam dessa visita, com muito encanto e ternura.. Eram as graças recebidas, as pregações que arrebatavam, as pombas brancas que acompanhavam a imagem, os cortejos, as procissões, os tapetes de flores… A visita da imagem da Cova da Iria nas décadas pretéritas marcou profundamente o nosso povo cristão.

No passado dia 13, o Senhor bispo de Leiria-Fátima, no contexto da preparação para o centenário das aparições de Fátima, fez o solene envio da imagem peregrina da Cova da Iria que vai percorrer todas as dioceses do país. Na nossa Diocese, a visita da imagem será de 8 a 22 de Novembro. Serão, certamente, dias intensos de manifestações da devoção à Mãe de Deus e nossa Mãe.

Esta peregrinação da imagem da Cova da Iria tem o sabor dum gesto com raízes profundas. A Virgem Maria deu-nos o testemunho duma vida marcada pelo espírito peregrinante: A ida a Belém para se recensear, a visita à sua prima Isabel, a fuga para o Egipto, as idas a Jerusalém onde a vemos a iniciar Jesus na fé judaica, a viver a Páscoa do Filho e a receber o Espírito Santo em dia de Pentecostes. Maria é a primeira peregrina e desenhou com a sua vida um caminho que deverá ser inspirador para todo o povo cristão.

A visita da sua imagem insere-se neste espírito da Senhora dos caminhos, a Mãe peregrina sempre disponível a ir ao encontro dos filhos. Maria é modelo duma fé dinâmica, em movimento e em saída. Hoje a Igreja há-de inspirar-se em Maria para purificar o seu coração e recuperar a ousadia de ir sempre mais longe. Para além de ter em Pedro o alicerce da fé, tem em Maria a sua inspiradora.

Para consumar a sua missão, a comunidade há-de redescobrir o seu perfil mariano, irradiando gestos maternos de bondade, próprios de quem abraça e não exclui. Uma Igreja que congrega e une, que repara as fendas da almas e se mostra disponível para estar junto dos que mais precisam é a configuração da fé que a Mãe de Jesus lega à comunidade dos discípulos.

A visita da imagem peregrina da Cova da Iria por terras de Portugal é o símbolo da mãe que vem ao encontro dos seus filhos para que estes revigorem os laços da fé e da esperança. O povo lusitano tem uma alma profundamente mariana desde o seu berço. A sua história é um vivo testemunho duma aliança com o céu que sempre contou com o abraço de Maria. Nos momentos difíceis, sempre implorámos a ajuda divina recorrendo a Nossa Senhora.


Vivemos hoje tempos de grande inquietação e sentimos que os caminhos da esperança estão seriamente ameaçados. Por isso mesmo, Maria vem ao nosso encontro apontando a mensagem do Filho que é o evangelho. Que saibamos aproveitar esta hora de graça e esta oportunidade singular. Que o fruto seja um compromisso de fé mais responsável que nos faça olhar os desafios do mundo sem os medos que paralisam mas com a ousadia de quem acredita no amor que redime.  

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