sábado, 9 de janeiro de 2016

QUE VAMOS FAZER AO MENINO QUE NASCEU?

PÓRTICO|20160108

A quadra do Natal tem a força de mobilizar as vontades e despertar os mais genuínos sentimentos de humanismo que nos habitam. Se é verdade que as rotinas quotidianas e a cultura do egoísmo vão enterrando a nossa vontade de fraternidade, também é verdade que o anúncio do Natal faz emergir o que de mais puro há dentro de nós.

No coração deste tempo, está a grande notícia: “Um Menino vos foi dado!” Depois de termos vivido mais uma quadra natalícia, é importante perguntarmo-nos: O que vamos fazer ao Menino que nasceu? Por esta ocasião, desarmamos os presépios e as luzes da árvore e guardamos tudo, cuidadosamente, em caixas e em lugar apropriado. É com alguma nostalgia que o fazemos porque...só daqui a um ano volta a ser Natal.

Para um cristão que celebra o Natal não faz sentido que a Verdade vivida permaneça guardada num armário à espera que chegue o próximo Natal. Seria reduzir o seu espírito a uma tradição cultural ou a um dado sociológico. Seria muito pouco se consentíssemos neste carácter redutor de tão grande mistério.

O Menino que nasceu deverá crescer e tornar-se adulto. Os pais vivem com entusiasmo o crescimento dos seus filhos. Anotam as gramas do seu peso, os centímetros do seu tamanho; exultam com o seu primeiro passo e inebriam-se com as suas primeiras palavras. Na experiência da fé, algo de semelhante deveria acontecer.

Ninguém pode viver da certeza de que já tem muita fé. A experiência da fé é sempre um Menino a nascer e a crescer em nós porque a fé é um caminho que recomeça todos os dias. Na fé não se pode viver dos créditos do passado. Em cada dia, Jesus tem que renascer em nós para que todas as realidades se iluminem com a sua Luz.

As trevas que envolvem o mundo não ajudam à vivência da fé. Há muita angústia instituída e demasiadas estruturas desumanizadas; a esperança é um discurso hipotecado e a dignidade humana está seriamente ameaçada. Todavia, ainda há estrelas a brilhar que se acendem para nos fazer descobrir a estrada da Luz e os roteiros da fraternidade. Fitar nelas o nosso olhar é um acto de sabedoria e de coragem.

Quem ouviu na noite fria o suave cântico dos anjos e acorreu ao presépio para adorar o Menino tem de continuar a ter a coragem de enfrentar todas as noites para que a Luz seja mais forte do que as trevas. O cristão não pode ser um vencido pelos pesos do presente. A Graça do “Menino que nos foi dado” há-de robustecer-se em nós para sermos gente de fé madura que vive com espírito liberto os caminhos da vida.

Ter celebrado o Natal, compromete-nos perante o mundo. Em cada cristão, deveria ver-se um rosto luminoso e uma vontade renovada de começar cada dia por que celebrar o Natal é acolher a Luz que é mais forte do que as trevas.

Outrora, os Magos deixaram-se fascinar por uma estrela que brilhava no firmamento. Com coragem, puseram-se a caminho. É essa coragem que não pode desvanecer-se nem ficar guardada no armário. O “Menino que nos foi dado” é o Senhor da nossa história e a Verdade maior das nossas vidas. O que fizemos ao Menino que nasceu?  

P. Mário 

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