PÓRTICO|20160108
A quadra do Natal tem a força de
mobilizar as vontades e despertar os mais genuínos sentimentos de humanismo que
nos habitam. Se é verdade que as rotinas quotidianas e a cultura do egoísmo vão
enterrando a nossa vontade de fraternidade, também é verdade que o anúncio do
Natal faz emergir o que de mais puro há dentro de nós.
No coração deste tempo, está a
grande notícia: “Um Menino vos foi dado!” Depois de termos vivido mais uma
quadra natalícia, é importante perguntarmo-nos: O que vamos fazer ao Menino que
nasceu? Por esta ocasião, desarmamos os presépios e as luzes da árvore e
guardamos tudo, cuidadosamente, em caixas e em lugar apropriado. É com alguma
nostalgia que o fazemos porque...só daqui a um ano volta a ser Natal.
Para um cristão que celebra o Natal
não faz sentido que a Verdade vivida permaneça guardada num armário à espera
que chegue o próximo Natal. Seria reduzir o seu espírito a uma tradição
cultural ou a um dado sociológico. Seria muito pouco se consentíssemos neste
carácter redutor de tão grande mistério.
O Menino que nasceu deverá crescer e
tornar-se adulto. Os pais vivem com entusiasmo o crescimento dos seus filhos.
Anotam as gramas do seu peso, os centímetros do seu tamanho; exultam com o seu
primeiro passo e inebriam-se com as suas primeiras palavras. Na experiência da
fé, algo de semelhante deveria acontecer.
Ninguém pode viver da certeza de que
já tem muita fé. A experiência da fé é sempre um Menino a nascer e a crescer em
nós porque a fé é um caminho que recomeça todos os dias. Na fé não se pode
viver dos créditos do passado. Em cada dia, Jesus tem que renascer em nós para
que todas as realidades se iluminem com a sua Luz.
As trevas que envolvem o mundo não
ajudam à vivência da fé. Há muita angústia instituída e demasiadas estruturas
desumanizadas; a esperança é um discurso hipotecado e a dignidade humana está
seriamente ameaçada. Todavia, ainda há estrelas a brilhar que se acendem para
nos fazer descobrir a estrada da Luz e os roteiros da fraternidade. Fitar nelas
o nosso olhar é um acto de sabedoria e de coragem.
Quem ouviu na noite fria o suave
cântico dos anjos e acorreu ao presépio para adorar o Menino tem de continuar a
ter a coragem de enfrentar todas as noites para que a Luz seja mais forte do
que as trevas. O cristão não pode ser um vencido pelos pesos do presente. A
Graça do “Menino que nos foi dado” há-de robustecer-se em nós para sermos gente
de fé madura que vive com espírito liberto os caminhos da vida.
Ter celebrado o Natal,
compromete-nos perante o mundo. Em cada cristão, deveria ver-se um rosto luminoso
e uma vontade renovada de começar cada dia por que celebrar o Natal é acolher a
Luz que é mais forte do que as trevas.
P. Mário
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