sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS


De 18 a 25 de Janeiro, todos os cristãos das várias confissões da Cristandade, são chamados a viver uma Semana de Oração pela Unidade dos que são discípulos de Jesus Cristo. A unidade dos cristãos foi a última vontade expressa por Jesus no seu Testamento, como nos narra o evangelho de São João. “-Pai! Que todos sejam Um, como Eu e Tu somos um só!”, é a súplica da alma que Jesus faz ecoar na última Ceia, estando à mesa com os apóstolos.

Vinte séculos de cristianismo são vinte séculos de divisões e duma história sofrida onde as lógicas humanas se sobrepuseram, muitas vezes, à lógica da vontade expressa por Jesus. Desde o século XIX para cá, tem subido de tom a vontade de caminhar no sentido da comunhão e da unidade dos que seguem a Cristo. Uma das expressões mais evidentes desta vontade de comunhão é a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que tem as suas origens muito antes do Concílio Vat. II.

O Oitavário de oração pela unidade dos cristãos foi promovido sobretudo por Paul Wattson, um anglicano americano que depois passou para a Igreja católica, e por Spencer Jones, membro da Igreja episcopaliana; em seguida ele foi desenvolvido pelo abade Paul Couturier, pioneiro apaixonado do ecumenismo espiritual. No campo católico, recebeu um forte apoio dos Papas Leão XIII e Bento XV, que o estendeu a toda a Igreja católica. Um ulterior passo em frente foi dado graças ao Papa Pio XII que, numa instrução de 1950, louvou explicitamente o movimento ecuménico, reconduzindo a sua origem à obra do Espírito Santo.

O Oitavário de Oração é uma memória viva do espírito ecuménico empreendido ainda no século XIX pela Organização Mundial das Igrejas e que gerou um grande movimento ecuménico nas igrejas protestantes e, mais tarde, na católica. O Vat. II viria a dar grande incremento ao diálogo ecuménico e inter-religioso com o Decreto “Unitatis Redintegratio”. Os últimos Papas têm dado grandes sinais de diálogo e a Unidade entre os cristãos e os crentes de outras religiões têm estado na agenda da Igreja das últimas décadas.

Muitos passos se deram neste sentido e, certamente, se continuarão a dar. Apesar das dificuldades reais que ainda existem, é património comum a todas as igrejas cristãs, a fé no poder da oração. Mesmo ainda não completamente unidos, os cristãos têm a coragem de rezar pela Unidade que Jesus pediu no seu Testamento. Para além do esforço do diálogo teológico e litúrgico reservado aos peritos, podemos afirmar que há uma espiritualidade ecuménica que deve marcar a atitude das comunidades cristãs.

A espiritualidade ecuménica recorda-nos, a nós cristãos, que não somos nós quem «fazemos» a unidade, decidindo a forma e o tempo da sua realização, mas só podemos recebê-la como dom de Deus, como evidenciou o Papa Bento XVI: «A evocação perseverante à oração pela comunhão entre os seguidores do Senhor manifesta a orientação mais autêntica e profunda da inteira busca ecuménica, porque a unidade, antes de mais, é dom de Deus».

Mesmo que entre nós o diálogo ecuménico não pareça uma prioridade, pede-se a todo o povo cristão que tenha uma atitude ecuménica pela via da Oração e dos gestos concretos. Só assim, poderemos viver o Testamento de Jesus que é a Unidade.

P. Mário


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