De 18 a 25 de Janeiro, todos os cristãos
das várias confissões da Cristandade, são chamados a viver uma Semana de Oração
pela Unidade dos que são discípulos de Jesus Cristo. A unidade dos cristãos foi
a última vontade expressa por Jesus no seu Testamento, como nos narra o
evangelho de São João. “-Pai! Que todos sejam Um, como Eu e Tu somos um só!”, é
a súplica da alma que Jesus faz ecoar na última Ceia, estando à mesa com os
apóstolos.
Vinte séculos de cristianismo são vinte
séculos de divisões e duma história sofrida onde as lógicas humanas se
sobrepuseram, muitas vezes, à lógica da vontade expressa por Jesus. Desde o
século XIX para cá, tem subido de tom a vontade de caminhar no sentido da
comunhão e da unidade dos que seguem a Cristo. Uma das expressões mais
evidentes desta vontade de comunhão é a Semana de Oração pela Unidade dos
Cristãos que tem as suas origens muito antes do Concílio Vat. II.
O Oitavário de oração pela unidade dos
cristãos foi promovido sobretudo por Paul Wattson, um anglicano americano que
depois passou para a Igreja católica, e por Spencer Jones, membro da Igreja
episcopaliana; em seguida ele foi desenvolvido pelo abade Paul Couturier,
pioneiro apaixonado do ecumenismo espiritual. No campo católico, recebeu um
forte apoio dos Papas Leão XIII e Bento XV, que o estendeu a toda a Igreja
católica. Um ulterior passo em frente foi dado graças ao Papa Pio XII que, numa
instrução de 1950, louvou explicitamente o movimento ecuménico, reconduzindo a
sua origem à obra do Espírito Santo.
O Oitavário de Oração é uma memória viva
do espírito ecuménico empreendido ainda no século XIX pela Organização Mundial
das Igrejas e que gerou um grande movimento ecuménico nas igrejas protestantes
e, mais tarde, na católica. O Vat. II viria a dar grande incremento ao diálogo
ecuménico e inter-religioso com o Decreto “Unitatis Redintegratio”. Os últimos
Papas têm dado grandes sinais de diálogo e a Unidade entre os cristãos e os
crentes de outras religiões têm estado na agenda da Igreja das últimas décadas.
Muitos passos se deram neste sentido e,
certamente, se continuarão a dar. Apesar das dificuldades reais que ainda
existem, é património comum a todas as igrejas cristãs, a fé no poder da
oração. Mesmo ainda não completamente unidos, os cristãos têm a coragem de
rezar pela Unidade que Jesus pediu no seu Testamento. Para além do esforço do
diálogo teológico e litúrgico reservado aos peritos, podemos afirmar que há uma
espiritualidade ecuménica que deve marcar a atitude das comunidades cristãs.
A espiritualidade ecuménica recorda-nos,
a nós cristãos, que não somos nós quem «fazemos» a unidade, decidindo a forma e
o tempo da sua realização, mas só podemos recebê-la como dom de Deus, como
evidenciou o Papa Bento XVI: «A evocação perseverante à oração pela comunhão
entre os seguidores do Senhor manifesta a orientação mais autêntica e profunda
da inteira busca ecuménica, porque a unidade, antes de mais, é dom de Deus».
Mesmo que entre nós o diálogo ecuménico
não pareça uma prioridade, pede-se a todo o povo cristão que tenha uma atitude
ecuménica pela via da Oração e dos gestos concretos. Só assim, poderemos viver
o Testamento de Jesus que é a Unidade.
P. Mário
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