quinta-feira, 26 de maio de 2016

MANTER VIVO O ESPÍRITO DO JUBILEU DA MISERICÓRDIA

PÓRTICO|20160527



No nosso tempo, os acontecimentos passam a uma velocidade vertiginosa. Tudo se desgasta muito rapidamente e a necessidade de apresentar coisas novas é quase uma neurose do marketing e da comunicação. De tal maneira enfermamos desta voragem mediática que corremos o risco de desgastar também tudo aquilo que requer interioridade, tempo e persistência.

Vem a propósito dizer que o espírito do Ano Santo da Misericórdia não pode ser uma daquelas notícias que ao fim duma semana já se deixou de falar ou que se esgotou no momento em que já cumpri o que está estabelecido: Passar pela Porta Santa, rezar o credo, confessar-me e participar na Eucaristia. A atitude não pode ser um “já cumpri” tranquilizador. Um Ano Santo é mais do que um gesto ritual que se cumpre.

A mensagem da Misericórdia deve fazer caminho dentro de nós. Um caminho sereno, progressivo e iluminador. Não havemos de nos cansar de reflectir, escutar, rezar e meditar no significado desta proposta do Papa para toda a Igreja. A Misericórdia de Jesus marca cada gesto seu, cada palavra que proferiu, cada milagre que realizou. A Misericórdia há-de também ser o sinal visível da nossa experiência de fé. Ter fé é ser misericordioso e esta é realidade nunca totalmente alcançada.

O espírito deste Ano Santo deve ser uma inquietação que se instala no nosso íntimo e nos reconfigura como gente de fé. Uma verdadeira revolução interior deveria acontecer como fruto deste ano que é um desafio pleno de significado. Ser misericordioso é passar da doutrina à vivência do amor; é passar do “Senhor, Senhor...” à práctica do mandamento novo; é ter o arrojo de “dar a vida” como o nosso Mestre. Nada de mais contraditório dizer que temos fé sem gestos de misericórdia.

Não basta por isso “passar a Porta” indicada pelo nosso Arcebispo; urge passar as portas do nosso coração para sermos mais misericordiosos. O espírito deste Ano Santo é que nos revistamos da veste do amor como Jesus nos pediu. Passar do cumprimento dos preceitos à práctica da caridade fraterna é o que está em questão neste Ano Santo da Misericórdia.

É de assinalar o grande movimento de peregrinações e algumas delas muito numerosas que se têm dirigido ao santuário de Vila Viçosa. É um sinal visível do caminho comunitário que estamos a fazer. A título de exemplo, no Sábado passado, muitas centenas de irmãos participaram no Jubileu das Santas Casas da Misericórdia; amanhã, dia 28, mais de mil fiéis participam na Peregrinação do Jubileu das Famílias; no dia 3 de Junho, Sexta-feira, centenas de irmãos participarão no Jubileu do Apostolado da Oração. É todo um povo convocado e que mostra a sua vontade de caminhar na fé respondendo aos apelos deste Ano Santo.


Que ninguém sinta que já cumpriu o seu dever por ter passado a Porta Santa. A Misericórdia é um apelo diário. Sem ela, a nossa fé não teria as obras pelas quais se torna um testemunho de fé viva. Vamos manter vivo o espírito do Ano Santo. Que os gestos jubilares rasguem os nossos corações e abram as nossas mentes ao evangelho do amor.


P. Mário

O DESAFIO DA VIDA

PÓRTICO|20160520






No passado dia 15 de Maio celebrou-se o Dia Internacional da Família. A iniciativa da celebração do Dia da Família pertenceu à ONU, tem data fixa e celebrou-se pela primeira vez em 1994. Sendo uma temática tão sensível, depressa a Igreja acarinhou a ideia propondo a Semana da Vida como forma de valorizar os ideais da Família. Estamos em plena Semana da Vida que decorrerá até ao próximo Domingo, dia 22.

Das ideias fundamentais da proposta da ONU para o Dia Internacional da Família, destacam-se: A importância da família na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil; Reforçar a mensagem de união, amor, respeito e compreensão necessárias para o bom relacionamento de todos os elementos que compõem a família; Chamar a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para seus direitos e responsabilidades desta; Sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afectam a família.

Como é importante celebrar a Vida! Vivemos tempos em que a cultura da morte vai conquistando espaços cada vez maiores: O aborto e a eutanásia são expressões dessa cultura que tem no mais íntimo, o deslumbramento do egoísmo desenfreado. O culto do individualismo é apanágio das culturas ocidentais que visam o bem-estar do indivíduo sem olhar, antes de mais, o bem comum da sociedade.

A baixa da natalidade é uma das consequências do egoísmo enquanto padrão da cultura ocidental. É certo que as condições de vida limitam muito as famílias tornando difícil que o número de filhos por casal ultrapasse a barreira dos dois filhos. Mas também é verdade que quando há condições económicas satisfatórias, esse número raramente é ultrapassado e falar em famílias numerosos é ainda uma excepção. Para além das condições de vida, o padrão do egoísmo é o maior adversário à opção por mais um filho.

O respeito sagrado pelas opções de cada casal é um dever inalienável. Todavia, denunciar o envelhecimento da população fazendo ver todas as consequências que isso acarreta é também um dever que não podemos calar.

Passar do egoísmo ao amor é o grande segredo para uma revolução cultural que coloque a vida humana no centro das suas máximas inquietações. Se não tivermos a ousadia desse passo, corremos o risco de nos precipitarmos num abismo anunciado e fatal.

A opção pela cultura da morte não pode augurar nada de bom para o futuro. A baixa da natalidade é já um flagelo humano, social e económico que faz brotar todo o tipo de apreensões. Só a vida e novas vidas têm a graça de rasgar horizontes de esperança.

Na Semana da Vida, tenhamos presente o adágio antigo: “Deus perdoa sempre, os homens às vezes e a natureza Nunca!”

P Mário