PÓRTICO|20161125
ADVENTO: PORQUE FAZ
SENTIDO REENCONTRAR A ESPERANÇA
Num mundo de ruídos e de
desconfianças como é aquele em que vivemos, corremos o risco de cair na
prostração e no descrédito. As lideranças débeis que hoje governam os povos e
que vão perdendo espaço para a tirania do poder financeiro; os abismos cada vez
mais profundos entre os que têm em excesso e os que não têm o mínimo; a cultura
da morte que se mascara com discursos de modernidade e de direitos adquiridos,
vão toldando de nuvens cada vez mais espessas as nossas possibilidades de
esperança.
Nestes contextos cinzentos, a
Igreja não desiste de irromper no coração da humanidade para proclamar de novo:
“Ele está para chegar!”; “Um Menino nos foi dado e será o Príncipe da paz”; “o
Verbo fez-se carne e habitou entre nós!”. É, de novo, Advento e diante de nós,
como um dom, é colocado o desafio de permanecermos em atitude de espera activa.
A palavra Advento significa
“caminho para o evento”. O evento ou acontecimento é Cristo que renasce entre
nós. A história da humanidade não é um caminho para o nada e para o vazio. A
nossa história tem um sentido que se revela num corpo débil de criança. E
quando muitos anunciam o caos e o desespero social, o anúncio do Advento
reveste-se duma ousadia que surpreende e nos congrega como povo: “A luz brilha
nas trevas” e somos loucos se não abrirmos o nosso coração para acolher o seu
brilho.
A esperança que o Advento anuncia
não evoca só aquele “estar bem quando as coisas correm bem”. É, antes, a chama
que importa manter acesa no tempo do cativeiro; a confiança presente nos campos
de refugiados de que alguém virá em auxílio; a certeza de que a morte não há-de
vencer, dos países em guerra. É também a alegria que se acende numa nova vida
que é acolhida como fruto do amor entre os esposos; ou a gratidão da mãe
solteira que teve a coragem de não matar o seu filho e que hoje o embala no seu
regaço; a consolação duma doença que se venceu ou o heroísmo de quem porfiou
até ao fim.
Sem a esperança que o Advento
evoca, o mundo perde os horizontes do infinito e fica atrofiado nos seus
esforços. Sem Deus, a vida é um absurdo, que o digam os mestres da suspeita.
Mais uma vez, a Igreja nos convida a esta enorme ousadia de rasgar o véu do
pessimismo para descobrir os acenos da alegria.
Tudo isto há-de acontecer, de
novo, no sorriso duma criança, dum filho que quer ser nosso irmão. O que atrai
de sobremaneira na proposta do Advento é este rosto humano, quente e que nos
recupera para o que de melhor há em nós. A cultura do egoísmo vai-nos
obstruindo e fazendo definhar, mas a verdade do amor que também nos habita pode
abrir clareiras novas em nós e à nossa volta.
É tão importante o Advento! Que
ninguém lhe fique indiferente.
P. Mário
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