PÓRTICO|20161216
Somos dados às rotinas. Criamos
hábitos e ritmos de vida que nos dão segurança e estabilidade e com facilidade
acomodamo-nos a uma forma de viver que define os seus territórios por onde nos
movemos quer como indivíduos quer como sociedade. Sem nos darmos conta, as
rotinas envelhecem-nos e o nosso mundo vai ficando cada vez mais pequenino
desgastado.
O espírito do Natal vem
alertar-nos para o perigo de nos acomodarmos nas nossas seguranças e nas nossas
certezas. É importante que “o novo” aconteça, inebriando-nos duma luz mais
cristalina e duma esperança que nos abre ao infinito. Quando Jesus nasceu em
Belém foi isto que aconteceu e é urgente que continue a acontecer nos nossos
dias.
Jesus nasceu e ressoou um novo
hino de Glória a Deus, brotou uma nova alegria e uma nova luz despontou na
noite fria. As coisas antigas passaram, Ele era sinal do novo tempo, da nova
graça, da esperança renovada. O novo rebento de Jessé anunciado pelos profetas,
percorria agora os caminhos da Galileia e da Judeia para fazer erguer um novo
templo, uma nova Jerusalém, o novo dia do Senhor. Trouxe-nos um novo Baptismo,
infundiu sobre nós um Espírito novo e deu início ao novo povo de Israel.
A pessoa de Jesus caracteriza-se
pelo “Novo” que irrompeu na história fazendo acontecer a esperança da salvação.
Um dos grandes perigos que nos pode condicionar é deixarmos desgastar a alma do
Natal e limitarmos os seus horizontes a uns olhares circunstanciais e a interesses
que desvirtuam o mistério que deveríamos celebrar. Os consumos frenéticos, as
novas tradições manipuladas pela lógica mercantilista, o apagamento dos
símbolos genuínos do cristianismo, a pretensão de novos padrões natalícios tornam-nos
mais encarcerados nos anúncios translúcidos duma salvação ilusória.
É verdade que uma gigantesca
nuvem de solidariedade se levanta nesta quadra, com afectos que se partilham,
com cenários iluminados que transformam as nossas ruas e praças em lugares
cintilantes e mágicos, com companhas que nos sensibilizam e nos motivam à entreajuda.
Quanta coisa boa e bela acontece
por estes dias! No entanto, no meio das noites do nosso tempo, havemos de nos
perguntar se ainda há um lugar para o Menino nascer, um recanto de ternura onde
uma mãe possa dar à luz, ou se os pastores ainda reconhecem os cânticos dos
anjos. Será que há um lugar assim?
Estou certo que o lugar mais indicado
para o Menino nascer é o presépio do nosso coração. Só assim poderemos
recuperar o entusiasmo, voltar a acreditar nas profecias, descobrir que somos
irmãos e que os descampados voltam a florir.
Que os nossos desgastes
emocionais, os desencantos sociais e as nossas inquietações íntimas não criem
obstáculos intransponíveis à revelação do “Novo” que em nós pode acontecer cada
vez que celebramos o Natal de Jesus.
Ontem, estava a colocar uma tela
com o Menino Jesus na minha varanda quando vejo uma multidão de meninas e
meninos da escola que andavam a percorrer os lugares da nossa terra a dar as
boas festas. Acenaram-me para que viesse à porta para acolher o seu anúncio e o
seu convite. De repente, era como se a luz do Menino da minha janela brilhasse
naqueles olhares de festa onde se descobria um encanto sublime.
Jesus anda por aí com os seus
sinais. Não o sentimos já?
P. Mário
Es cierto padre Mario.Soy el suegro de Rita.Vivir Natal como si lo fuera todos los dias.
ResponderEliminarCaro amigo: Que surpresa! Grande abraço para todos vós. Um Natal de Luz. Que o Advento nos leve ao Evento! Feliz Navidad!
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