domingo, 12 de fevereiro de 2017

DIA MUNDIAL DO DOENTE: MAIS DO QUE UMA DATA

PÓRTICO|20170210





A Igreja celebrou no passado dia 11 de Fevereiro, o Dia mundial do doente. A celebração deste dia foi uma iniciativa do Papa João Paulo II, em 1992. Ao instituir esta data, o Papa pretendia não só convocar as comunidades para a oração a favor dos doentes, como também valorizar espiritualmente o mistério do sofrimento e da dor.

Na carta de instituição do Dia Mundial do Doente, o Papa João Paulo II lembrou que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”.

A data escolhida prende-se com a celebração da festa litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes. Desde as suas origens, o santuário de Lurdes foi sempre um lugar carismático para os doentes. Ainda hoje, acorrem à gruta de Lurdes multidões de enfermos não só a pedir o dom da cura como também à procura dum lugar de oração como forma de encontrar sentido para a sua dor.

Grande parte da vida de Jesus foi passada a curar os doentes. Jesus deu grande importância ao ministério da cura, não rejeitando sequer os cultualmente impuros. E quando o acusaram de não conhecer o tipo de pessoas suspeitas com quem andava, não hesitou em afirmar que tinha vinda não para os sãos, mas para os doentes.

Com efeito, numa comunidade cristã, os irmãos doentes devem ocupar um lugar especial. Quando se reúne ao Domingo para celebrar a Eucaristia, a comunidade celebrante não pode esquecer a Eucaristia da dor que os irmãos doentes celebrar no seu leito de sofrimento. Eles são parte integrante da comunidade que celebra e são um dom inestimável já que, oferecendo o seu sofrimento, são um rosto orante para o bem de toda a comunidade.

Os doentes para além a expressão do rosto de Cristo sofredor no seio da comunidade, fazem desencadear a comunidade em prol da saúde. Assim, celebrar o Dia do doente é também celebrar o dia daqueles que cuidam dos doentes e zelam pela sua saúde. Na sua mensagem para este dia, O Papa Francisco não esqueceu os que cuidam dos doentes e dão o melhor de si em seu favor e que muitas vezes são esquecidos.

Por ocasião da XXV Jornada Mundial do Doente, reitero a minha proximidade feita de oração e encorajamento aos médicos, enfermeiros, voluntários e a todos os homens e mulheres consagrados comprometidos no serviço dos doentes e necessitados; às instituições eclesiais e civis que trabalham nesta área; e às famílias que cuidam amorosamente dos seus membros doentes. A todos, desejo que possam ser sempre sinais jubilosos da presença e do amor de Deus, imitando o testemunho luminoso de tantos amigos e amigas de Deus, dentre os quais recordo São João de Deus e São Camilo de Lélis, Padroeiros dos hospitais e dos profissionais de saúde, e Santa Teresa de Calcutá, missionária da ternura de Deus”.

Não nos podemos alhear dos nossos irmãos doentes. O seu sofrimento é redentor e ajuda na edificação das comunidades.


P. Mário







sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A MISSÃO DOS CONSAGRADOS

PÓRTICO|20170203





Dizem os filósofos que o homem é um animal religioso. De facto, é fácil constatar a naturalidade dos comportamentos religiosos que caracterizam a vida dos seres humanos mesmo quando não se sentem vinculados a uma religião em concreto. Até os que se dizem ateus assumem muitas com frequência, comportamentos supersticiosos ou outros que denunciam algum tipo de crença no além.

Esta vocação ao diálogo com o infinito e esta abertura à transcendência leva a que muitos crentes façam do acto de fé não só um meio de relação religiosa com Deus, mas uma forma de configuração de toda a vida, decidindo consagrar-se inteiramente ao Senhor.

Jesus, ao começar a sua vida pública, passou junto às margens do lago e chamou discípulos que estivessem prontos a acolher a sua proposta. Os apóstolos são homens que deixam tudo para seguir Jesus porque se sentem seduzidos pela sua mensagem e pelo seu estilo de vida. Algo de muito semelhante acontecera já no Antigo Testamento. Os profetas são gente que escuta a voz de Deus e faz da sua vida uma missão. O profeta Jeremias resume assim a sua vocação: “Tu me seduziste Senhor e eu deixei-me seduzir!”

Nunca será demais afirmar que a Igreja é o povo de Deus em caminho e todos somos candidatos à santidade. Este pilar do Vaticano II, há que o reafirmar com grande convicção, mas sabemos como no seio do Povo de Deus, os consagrados são chamados a uma missão única e de grande actualidade.

A Igreja celebrou ontem, dia da Apresentação do Senhor e da Purificação de Maria, o dia dos consagrados. Quantos homens e mulheres se entregam por amor a Deus e ao serviço dos homens! Sem eles a Igreja perderia uma das suas maiores riquezas e grande parte do seu testemunho no mundo.

A força dos consagrados é que não é gente alienada que segue um ideal vago meramente espiritualista só para a sua consolação interior. Quem se consagra a Deus tem sempre uma grande paixão por servir a humanidade e contribuir para edificar o Reino de Deus na terra. Não se entenderia o ideal da consagração, segundo a proposta de Jesus Cristo, que não seja assim: Contemplar Deus servindo o homem concreto.

Hoje o mundo propõe o imediato e o fugaz como se a vida fosse unicamente o instante sem horizontes. O ideal da consagração é um pregão, no coração do mundo, que desafia a humanidade a olhar mais além, a ter horizontes de infinito enquanto faz da história e da humanidade a sua grande paixão.

A Igreja e o mundo precisam de gente que tem a ousadia de se consagrar a Deus. A proposta de Jesus Cristo continua válida e actual. No deserto clamam as vozes da aridez e o clamor dos pobres e dos desiludidos: é importante que alguém sacie essa sede e mate essa fome. Os consagrados são gente de profecia porque descobriram que Deus é a fonte e a meta, o alimento do caminho e a esperança da pátria.


É tão urgente a missão dos consagrados!

P. Mário