sexta-feira, 3 de março de 2017

O TESTEMUNHO DOS JOVENS




É corrente ouvirmos dizer que as novas gerações estão em crise. Fala-se da geração rasca e da geração perdida como se se tratasse duma verdade inquestionável. Já Cícero na antiguidade se lamentava da juventude do seu tempo tecendo os maiores receios sobre o que poderia acontecer no futuro. A questão parece não ser de hoje, mas de sempre.

Dei comigo a ler uma notícia que muito me entusiasmou. Em plenas férias de carnaval, cerca de 1500 jovens das nossas escolas escolheram passar estes dias numa experiência de oração e ecumenismo, em Taizé. São jovens de várias dioceses que se organizam já há vários anos, a partir das aulas de Religião e Moral, para uma experiência de fé e de descoberta de Deus. Como sabemos, a comunidade de Taizé, fundada pelo saudoso Ir. Roger Schutz, continua a cativar grandes assembleias de jovens durante todo o ano, em particular no tempo das férias.

Durante estes dias, os docentes que os acompanham procuram proporcionar aos alunos uma “experiência prática de oração, silêncio e descoberta de si” na “simplicidade” que caracteriza a vivência do espírito de Taizé.

Os monges residentes na comunidade que acolhem os 1500 alunos portugueses propõem um programa diário com vários momentos de oração: de manhã, à hora do almoço e ao final da tarde. Propõem ateliês de formação, trabalho manual e tempos de silêncio. A forma como todos os jovens acolhem estas vivências é impressionante. Muitos docentes falam em transfiguração dos seus alunos que vivem momentos marcantes para a sua vida. Muitos descobrem a importância da fé e da experiência religiosa.

Num dos encontros o prior da comunidade ecuménica, o irmão Alois incentivou os alunos a “procurar Deus na escola”, porque “Ele quer encontrar-se” com eles e com os seus colegas “no quotidiano da vida”. Ao regressar, muitos destes jovens trazem uma alegria que não pensavam encontrar e sentem-se surpreendidos pela descoberta do valor do evangelho.

O testemunho destes jovens que, em tão grande número, escolhem viver uma semana de oração e partilha em vez das folias do carnaval são um sinal de esperança para a Igreja e para o mundo. Taizé testemunha que quando os jovens se encontram com propostas válidas, genuínas e transparentes, respondem com entusiasmo e compromisso sem olhar a dificuldades. Talvez não andem tão longe de Deus como por vezes imaginamos e continuam a ter uma vontade firme de construir um mundo melhor, ou pelo menos, a vontade de deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram.

P. Mário








Sem comentários:

Enviar um comentário