É corrente ouvirmos dizer que as novas gerações estão em crise.
Fala-se da geração rasca e da geração perdida como se se tratasse duma verdade
inquestionável. Já Cícero na antiguidade se lamentava da juventude do seu tempo
tecendo os maiores receios sobre o que poderia acontecer no futuro. A questão
parece não ser de hoje, mas de sempre.
Dei comigo a ler uma notícia que muito me entusiasmou. Em plenas
férias de carnaval, cerca de 1500 jovens das nossas escolas escolheram passar
estes dias numa experiência de oração e ecumenismo, em Taizé. São jovens de
várias dioceses que se organizam já há vários anos, a partir das aulas de
Religião e Moral, para uma experiência de fé e de descoberta de Deus. Como
sabemos, a comunidade de Taizé, fundada pelo saudoso Ir. Roger Schutz, continua
a cativar grandes assembleias de jovens durante todo o ano, em particular no
tempo das férias.
Durante estes dias, os docentes que os acompanham procuram
proporcionar aos alunos uma “experiência prática de oração, silêncio e
descoberta de si” na “simplicidade” que caracteriza a vivência do espírito de
Taizé.
Os monges residentes na comunidade que acolhem os 1500 alunos
portugueses propõem um programa diário com vários momentos de oração: de manhã,
à hora do almoço e ao final da tarde. Propõem ateliês de formação, trabalho
manual e tempos de silêncio. A forma como todos os jovens acolhem estas
vivências é impressionante. Muitos docentes falam em transfiguração dos seus
alunos que vivem momentos marcantes para a sua vida. Muitos descobrem a
importância da fé e da experiência religiosa.
Num dos encontros o prior da comunidade ecuménica, o irmão Alois
incentivou os alunos a “procurar Deus na escola”, porque “Ele quer encontrar-se”
com eles e com os seus colegas “no quotidiano da vida”. Ao regressar, muitos
destes jovens trazem uma alegria que não pensavam encontrar e sentem-se
surpreendidos pela descoberta do valor do evangelho.
O testemunho destes jovens que, em tão grande número, escolhem
viver uma semana de oração e partilha em vez das folias do carnaval são um
sinal de esperança para a Igreja e para o mundo. Taizé testemunha que quando os
jovens se encontram com propostas válidas, genuínas e transparentes, respondem
com entusiasmo e compromisso sem olhar a dificuldades. Talvez não andem tão
longe de Deus como por vezes imaginamos e continuam a ter uma vontade firme de
construir um mundo melhor, ou pelo menos, a vontade de deixar o mundo um pouco melhor do
que o encontraram.
P. Mário
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