PÓRTICO|20170428
O Papa Francisco realiza entre
hoje e amanhã uma histórica visita ao Egipto. Trata-se duma visita de pouco
mais de 24 horas, mas que se reveste de grande significado. Na sequência dos
grandes gestos a que já nos habituou desde o início do seu Pontificado, o que
move o Papa é o seu persistente desejo de pôr em práctica o Testamento de
Jesus: “-Pai: Que todos sejam Um como Eu e Tu somos Um só!”
O Pontificado de Francisco está
recheado de grandes gestos ecuménicos e de diálogos inter-religiosos. Na nossa
memória está ainda bem vivo o encontro com o Patriarca de Moscovo em terras de
Cuba bem como os diversos encontros com líderes judaicos. Desta vez, o Papa
argentino vai poder encontrar-se, pela primeira vez, com os dois Patriarcas
mais representativos da comunhão cristão para além da Igreja Católica. No Cairo, no dia 28, estarão juntos o Papa
Francisco, o Papa Tawadros II da Igreja Copta Ortodoxa e o Patriarca Bartolomeu
de Constantinopla, ou seja, os líderes das três maiores comunhões cristãs do
mundo. É a primeira vez que tal acontece desde os primórdios do cristianismo e é
um facto da maior importância ecuménica.
Os líderes cristãos são convidados da mais
alta figura do Islão no Egipto, Ahmad Al-Tayyib, o Grão-mufti da Universidade
de Al-Azhar, que promove uma Cimeira a favor da Paz. Esta Universidade é considerada o mais respeitável centro de ensino
islâmico de todo o mundo muçulmano e está a organizar uma conferência sobre a
paz para tentar apresentar uma face do Islão diferente da que tem feito
manchetes ao longo da última década e meia, devido aos movimentos terroristas. O
clima de grande instabilidade que se vive no Egipto não demoveu os líderes
cristãos deste encontro. Recorde-se que ainda recentemente, no Domingo de
Ramos, um duplo atentado matou dezenas de cristãos no Egipto e as acções
terroristas tornaram-se já habituais neste país massacrado pela violência.
O Papa viajou hoje
pela manhã e pernoita no país dos Faraós. O Egipto é uma terra que evoca um tempo de cativeiro mas é também um lugar de profecia e de libertação. Francisco celebra missa com a pequena
comunidade católica no dia 29 e, depois, encontra-se com o clero do país, antes
de regressar a Roma.
Francisco persiste
nos grandes gestos. A Via da comunhão e da unidade é certamente a mais
condizente com a proposta de Jesus. Aceita ser um convidado, entre outros, para
fomentar a Paz. Muitos dirão que o Papa se está a rebaixar perante os outros,
porém, Francisco sabe que o caminho da Paz e da concórdia entre as religiões é
a rota certa e é muito mais importante do que qualquer honraria.
Deste encontro,
havemos também de reter que o Islão genuíno e não deturpado por interesses
geo-estratégicos e economicistas, busca os grandes valores humanos e pretender
ser uma profecia da Paz. No meio de sinais tão inquietantes que caracterizam o
mundo de hoje, não secaram os sinais da Esperança: Os grandes líderes cristãos
reúnem-se em solo islâmico para construir a Paz. Que as sementes aí lançadas
possam inspirar os que teimam em precipitar o mundo para a guerra.
P. Mário
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